Do outro lado.

Você sempre lê meus textos,
eu vou fingindo que não vejo
Mas confesso que de vez em quando
é pra você que eu escrevo.

Abecê.

Ame, confie
é o que você pede
Fique, encare
é a sua condição

Entregue-se, domine
queria é te conhecer
Procure, encontre
é tão fácil (eu) (me) (te) perder

Acorde(s), são notas
dinheiro não é solução
Mel-o-dia, e à noite
é demais a tentação

Acontece, eu acredito
em suspiros vou dizer
Que amor eu não quero
mas preciso aprender

Você vive dizendo

que samba te sai da alma.
Mas sendo sincera,
isso sempre me pasma.

Da tua alma sai é bossa nova,
um rock de vez em quando,
mas samba?, uma ova!

Sei que você quer aparecer,
mas calma, tudo a seu tempo.
Cante o pulso, dance um pouco,

parece que você não aprende mesmo.

Alguém ajude, tem uma estrela perdida no trem!

Eu quero essas paredes todas
pintadas
Mãozinhas de crianças, de digitais
desenhadas

Quero essas paredes de branco, bodas
douradas
Laços coloridos, às flores todas
abraçadas

Boletim.

Quase fiquei de recupeção,
mas meu problema não é com a Química
(que sei que temos).

É com a Geografia,
uma de minhas favoritas,
que me impede de vê-lo.

E essa dona Física,
que me impede de tê-lo.

E ah,
Literatura me lembra você.

Mas pra mim a nossa História
não precisa de tantos porquês.

Para poder surfar,

não pode ter medo de tubarão.

Para poder amar,
não pode ter medo de receber não.

Sistema isolado.

Esse nosso sistema errado
esse conjunto de corpos
essas forças externas
acabou ficando tudo misturado,

Estragado.

Grande verdade sobre o nosso amor.

Eu queria que você viesse me roubar,
que quisesse daqui me tirar,
nos teus (a)braços e beijos levar.

Eu queria que você viesse me ajudar,
bem juntinhos poderíamos ficar.

Mas pensando bem,
você também precisa
e algumas coisas não se podem salvar.

Te procuro.

E sei que o pronome é depois do verbo,
e a ênclise com isso meio louca irá ficar.
Mas tenho medo de por hífen,
e acabar não te achando lá.

Então eu percebi,

que você não precisa de uma arma para matar uma pessoa. Palavras bastam.

Palavras demoram, são cruéis e matam aos poucos... e muitos. E mesmo assim, às vezes você nem percebe.