Coisas que flutuam.

Fontes.
Torradas com geléia de pêssego.
Aviões.
Enfeites em árvores de Natal.
Nuvens.
Cordas bambas e lonas de circo.
Vazios.
Corpos amolecidos
e corpos enlouquecidos.
Corações preenchidos
e amores bem queridos:
Modismos.

Coisas que caem.

Pontes.
Torradas com geléia de morango.
Pássaros.
Enfeites de cerâmica.
Anjos perdidos.
Chuva.
Linhas e chamadas telefônicas.
Infinitos.
Corpos desastrados
e corpos distraídos.
Corações partidos
e amores esquecidos:
Abismos.

Carnaval de loucos.

Uma vez por semana, no hospício, pacientes e psiquiatras trocam de lugar sem ninguém saber. Passam o dia, médicos como dementes e insanos como doutores. A facilidade com que trocam de papéis e fingem atuar é imensa. O curioso é que brincam há anos e, até hoje, nenhuma enfermeira percebeu a diferença.

Alô, alô!

Eu queria saber se vocês enjoaram das músicas que ficam tocando no blog, porque são poucas e já estão há um bom tempo, né? Estava pensando em colocar outras... Não necessariamente tirar as que já estão, mas aumentar o repertório. O que vocês acham?

Fofoca.

E aquela história que ela me contou dizendo
"nunca contei isso pra mais ninguém",
Ela contou pra vários outros,
e com certeza vai contar pra você também.

Eu também contei algo a ela,
algo que a mais ninguém contei.
Mas agora todo mundo sabe,
por aquela boca que um dia tanto amei.

Olhe para cima.

Estamos todos sob o mesmo céu.

Apesar da distância,
das diferenças
De lugares, amores e crenças

As estrelas ainda nos são as mesmas.

Anatomia da dor.

O meu violão quebrado
no fundo do armário

Não é nada
comparado

ao sofrimento na gaveta guardado

ao desenho da infância
numa caixa, amontoado

ao coração que não late
amordaçado

ao sorriso que não bate
desencantado

o olhar que,
acostumado,
ficou abafado.

A porta dos fundos.

Eu escrevo, depois leio e surpreendo-me.

Não foi aquilo que eu quis dizer,
não foi aquilo que eu quis fazer.

Tudo bem, ele nunca precisou me dar um porquê,
entretanto eu esperava um pouquinho mais de você.

Pode vir, pode voltar,
deixar tudo assim como está.

Olhares são pequenas metáforas.

Teu olhar nunca me disse o que eu queria ouvir.
Mas vou continuar com esse gosto de você.

Acostuma-se.
De vez em quando é ganhar,
e o perder já se tornou banal.

Mas está tudo bem, mesmo.

O nosso clichê não existe.

gabi:
sei lá, tem uma magia a mais quando você tá beijando não só o corpo da pessoa, mas a alma dela também.
Grazzi:
que lindo isso gabi!
gabi:
talvez seja só besteira minha, mas eu acho.
Grazzi:
não, faz sentido
mas eu não sei se já beijei uma alma :x
gabi:
às vezes você sabe que não consegue beijar a alma, mas dá pra sentir que ela te beija.
eu não sei explicar. tem coisas que palavras não servem.
acho bonito.
Grazzi:
o que serve ?
gabi:
nada, acho. só sentimento.
mas sentimento é muita coisa.
e pouca ao mesmo tempo.
Grazzi:
coisas para quais nada serve; ou só o sentimento:
o sonho faz parte do sentimento? e o carinho ?
gabi:
faz, tudo que se sente é sentimento.
Grazzi:
e o que não sente, o que se acha?
gabi:
acho que é mero acaso.
o que não sente não vale a pena, na maioria das vezes.
porque pode parecer que preenche o vazio, mas não preenche.
é só uma ilusão, ilusões são passageiras e no final sempre se percebe que talvez não valeram tanto a pena.
podemos tentar nos enganar, mas é da humanidade nunca se contentar com pouco.
a gente quer as coisas por inteiro.
não aceitamos ficar com apenas um pedaço, muito menos quando é algo que queremos muito.
Grazzi:
e quando a gente só consegue um pedaço ?
gabi:
ou a gente se chateia no começo, mas aceita e se acostuma,
ou se magoa e não aceita.
mas eu não sei, não sou dona das respostas do mundo.
nem quero ser. saber não tem graça. não saber tudo. se a gente entendesse tudo, não teria o que pensar.
Grazzi:
sim, por isso a gente tá conversando, não ?!
gabi:
é, acho.
Grazzi:
:)
e quando você sente, e quer, e procura e tenta, você as vezes não tem medo ?
gabi:
sempre.

Tem gente que é poesia.
Tem gente que faz você se sentir poesia também.

Branco.

- Lembra quando eu te disse aquilo de não querer ser o erro da vida de alguém?

Eu quis dizer que não queria ser o erro da sua.

João 8:7

Pedras nas minhas pernas,
pedras na minha cabeça.
Pedras do círculo internas,
salvador da ceia na mesa.

Quem nunca pecou que atire a primeira,
a segunda e também a terceira,
É tão fácil escolher o alvo
e atirar a pedra certeira.

Cadê aquele cara,
aquele aquele da barba?
Cadê ele agora,
pra impedir a coisa errada?

Parece que ninguém nunca errou,
parece que ninguém nunca amou.