Às vezes me sinto como uma casa.

"Era proibido entrar. Uma cerca de madeira rodeava a casa. Lá, as pessoas tinham gravado seus recados para o poeta. Não tinham deixado nenhum pedacinho de madeira descoberta. Todos falavam com ele como se estivesse vivo. Com lápis ou pontas de pregos, cada um tinha encontrado sua maneira de dizer-lhe: obrigado.
Eu também encontrei, sem palavras, a minha maneira. E entrei sem entrar. E e silêncio fomos conversado (...)" (Neruda/1, em O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano)

"(...) com tranca e cadeado e debaixo de sete chaves, habitada por ninguém, fazia muito tempo."
(Neruda/2, em O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano)


Mas nunca em casa.

Re-volta. (Mas que conste que não sei quando volto.)

Acho que desisto da poesia.
É isso.

Queria defenestrar toda essa merda.
Esganar palavra por palavra.

Quer poesia?
Aqui a sua poesia,
aqui ó:

FODA-SE.

Registro.

Sobre o não desistir,
mesmo quando é com-
pli-ca-do
Demais

Você consegue?
Alguém consegue?
Dá medo.

R.

Eu queria pedir desculpas.
Queria pedir desculpas por ser uma idiota que some e que foge.

E queria dizer também que ainda acredito em nós.
Só não acredito em nós agora.


Vou parar de te ligar só pra ouvir sua voz, tá?
Mas obrigada por nunca ter se irritado por ninguém responder.

Enquanto eu respirar,

vou fugir
e cantar
no caminho.

Decerto.

Um tropeço não acaba com sua jornada. Seu olhar ainda está fixo no objetivo, lá longe, no horizonte. O caminho foi regado a muita água. Primeiro, porque choveu bastante. E por mais que as tormentas soubessem alegrar, segundo porque anda chorando. Pelo menos não terá de procurar um oásis, porque desde o começo a estrada não era deserto. E agora virou mar. De pingos e lágrimas, continua caminhando. E parece que tudo vai dar certo.

Obrigada, e não vou esquecer você.

Eu conhecia um menino que dizia querer ter asas.
Não para voar, não, caro e enganado leitor, não.
Ele queria ter asas para proteger.
A si mesmo, ele falava segurando minha mão.

E toda vez que lembro dele,
acontece assim, não consigo evitar;
Penso mesmo
é que ele nunca pareceu precisar.

E aí lembro d'uma vez
que ele contou, encarando meu olhar
"Você é eu, e eu sou você;
não é bonito, esse jeito de querer?"

Esse jeito de querer
(de) me proteger.

Improviso.

Fora das telas de cinema e das páginas dos livros ninguém tem coragem, ninguém tem coração.

Cadê toda a emoção, cadê o drama?
Trilha sonora, o casal que loucamente se ama?

Mas tem um segredo que eu posso te contar:
quando estávamos juntos, parecia um filme
De péssima direção, mas não é de importar;
as músicas, a cenografia e aquele roteiro
bastavam para fazer-me suspirar.

Mandei um pedaço de mim dentro daquele envelope. Cuide bem dele, tá?

- Quando você me mandou aquela carta dizendo "pra mim, a gente foi pra sempre", eu não soube muito o que pensar. Eu achava que você não acreditava nisso de pra sempre.

- É, eu não acredito nesse pra sempre.
Mas tem pra sempre que dura um mês, dois anos, cinco dias, uma década, três segundos, uma hora... Sabia?

Pôr-de-sóis e acidentes de carro.

Eu não agüento mais esse gosto de metal na minha boca e nos meus dedos. Parece que estou virando máquina, e ser pedra já era ruim o suficiente. E pior, máquina velha e quebrada. Desgastada.
Não quero passar os restos dos meus dias trocando parafusos - que decerto irão se soltar ainda mais do que já soltavam quando sequer os tinha -, e colocando óleo para poder andar e sonhar.

Será que se eu pegar a Estrada dos Tijolos Amarelos e encontrar o Grande Mágico, ele me dá um coração caso eu comece a sentir falta de um?

Tudo bem, tá tudo bem.

Eu sei o que você tem. E tenho tentado entender o que você não tem, também.
E olha, você precisa saber que medo não é nada frente aos teus desejos. Medo não é nada frente aos teus sonhos.
Sem arriscar não dá pra sair do chão, só dá pra afundar. E afundar...
Um simples olhar é tentar.
Não é fácil?

Nunca pedi que você me entendesse.
Mas você podia ter tentado.

Livro que eu cansei de ler.

Você é um rasbico. Um caderno furado.
Assusta. Mas é meio assustada também.
Tão sem vida. E mesmo assim consegue dar sua vida a tudo.
Parece que sabe adivinhar o futuro, mas só às vezes.
O passado também, mas é mais difícil.

Você é rabiscada.
Você é toda rabiscada.

Das verdades da minha caixa.

Essa semana recebi uma mensagem na minha Truth Box que me lembrou o motivo d'eu ainda ter esse aplicativo no meu Orkut. De vez em quando, recebo coisas muito, mas muito bonitas. E por elas vale, então, desconsiderar a incrível quantidade de idiotices recebidas para abrir um sorriso para aqueles anonimatos que valem a pena.
Peço desculpas, querido/a anônimo/a, mas eu queria deixar a verdade aqui, para dar um final mais bonito a algo cujo final tristemente seria perder-se no meio das outras mensagens. E desculpas aos demais anônimos, também, porque alguns mandam alegrias muito bonitas que também merecem espaços. Mas não se preocupem, eu guardo tudo numa outra caixa. Uma pequena caixinha que eu gosto de chamar de coração.

O recado dava o começo de um bonito texto, seguido de um parêntesis. "(I'd love to read it to you. Anyway, since I can't, here's just a small piece of the text for you, the girl I think about when I read this.)". Quis compartilhar o texto, porque significou algo bonito pra mim - e também para guardá-lo aqui, neste meu amado cantinho.

"And I want to play hide-and-seek and give you my clothes and tell you I like your shoes and sit on the steps while you take a bath and massage your neck and kiss your feet and hold your hand and go for a meal and not mind when you eat my food and meet you at Rudy’s and talk about the day and type your letters and carry your boxes and laugh at your paranoia and give you tapes you don’t listen to and watch great films and watch terrible films and complain about the radio and take pictures of you when you’re sleeping and get up to fetch you coffee and bagels and Danish and go to Florent and drink coffee at midnight and have you steal my cigarettes and never be able to find a match and tell you about the the programme I saw the night before and take you to the eye hospital and not laugh at your jokes and want you in the morning but let you sleep for a while and kiss your back and stroke your skin and tell you how much I love your hair your eyes your lips your neck and sit on the steps smoking till your neighbour comes home and sit on the steps smoking till you come home and worry when you’re late and be amazed when you’re early and give you sunflowers and go to your party and dance till I’m black and be sorry when I’m wrong and happy when you forgive me and look at your photos and wish I’d known you forever and hear your voice in my ear and feel your skin on my skin and get scared when you’re angry and your eye has gone red and the other eye blue and your hair to the left and your face oriental and tell you you’re gorgeous and hug you when you’re anxious and hold you when you hurt and want you when I smell you and offend you when I touch you and whimper when I’m next to you and whimper when I’m not and dribble on your breast and smother you in the night and get cold when you take the blanket and hot when you don’t and melt when you smile and dissolve when you laugh and not understand why you think I’m rejecting you when I’m not rejecting you and wonder how you could think I’d ever reject you and wonder who you are but accept you anyway and tell you about the tree angel enchanted forest boy who flew across the ocean because he loved you and write poems for you and wonder why you don’t believe me and have a feeling so deep I can’t find words for it and want to buy you a kitten I’d get jealous of because it would get more attention than me and keep you in bed when you have to go and cry like a baby when you finally do and get rid of the roaches and buy you presents you don’t want and take them away again and ask you to marry me and you say no again but keep on asking because though you think I don’t mean it I do always have from the first time I asked you and wander the city thinking it’s empty without you and want want you want and think I’m losing myself but know I’m safe with you and tell you the worst of me and try to give you the best of me because you don’t deserve any less and answer your questions when I’d rather not and tell you the truth when I really dont’ want to and try to be honest because I know you prefer it and think it’s all over but hang on in for just ten more minutes before you throw me out of your life and forget who I am and try to get closer to you because it’s a beautiful learning to know you and well worth the effort and speak German to you badly and Hebrew to you worse and make love with you at three in the morning and somehow somehow somehow communicate some of the overwhelming undying overpowering unconditional all-encompassing heart-enriching mind-expanding on-going never-ending love I have for you."

O texto é de uma peça chamada "‘Crave", da Sarah Kane.

Obrigada, muito obrigada, seja lá quem você for.
De verdade.
De coração.

Açúcar não é remédio pra febre, não, não!

Minhas coisas favoritas são aquelas feitas de sonhos.

E eu detesto pessoas,
Mas que contraditório!
Pessoas são todas meio feitas de sonhos:

Umas a mais,
umas a menos;

Mas sonho só se encontra,
e não estou falando de doce de padaria,
nas pessoas, que tonta!

Onírico.

Se você olhar pra cima e procurar direito, talvez possa ver o inferno.

Rascunho de nós.

Com a gente sempre foi assim. Nossos momentos juntos eram daqueles que fazem qualquer um pensar "é assim que quero passar os meus dias... e todos os restos deles". E mesmo assim. Talvez eu fui bobinha por acreditar que você faria isso - ou qualquer outra coisa - por mim.

- Preciso ir embora agora.

Você sempre precisava ir.
Quando você poderia ficar comigo?
Eu sempre esperei.
Esperei e nunca fui embora.

Você não percebeu,
ou deliberadamente ignorou?