quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Às vezes me sinto como uma casa.

"Era proibido entrar. Uma cerca de madeira rodeava a casa. Lá, as pessoas tinham gravado seus recados para o poeta. Não tinham deixado nenhum pedacinho de madeira descoberta. Todos falavam com ele como se estivesse vivo. Com lápis ou pontas de pregos, cada um tinha encontrado sua maneira de dizer-lhe: obrigado.
Eu também encontrei, sem palavras, a minha maneira. E entrei sem entrar. E e silêncio fomos conversado (...)" (Neruda/1, em O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano)

"(...) com tranca e cadeado e debaixo de sete chaves, habitada por ninguém, fazia muito tempo."
(Neruda/2, em O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano)


Mas nunca em casa.

Revolta. (Mas que conste que não sei quando volto.)

Acho que desisto da poesia.
É isso.

Queria defenestrar toda essa merda.
Esganar palavra por palavra.

Quer poesia?
Aqui a sua poesia,
aqui ó:

FODA-SE.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Registro.

Sobre o não desistir,
mesmo quando é com-
pli-ca-do
Demais

Você consegue?
Alguém consegue?
Dá medo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

R.

Eu queria pedir desculpas.
Queria pedir desculpas por ser uma idiota que some e que foge.

E queria dizer também que ainda acredito em nós.
Só não acredito em nós agora.


Vou parar de te ligar só pra ouvir sua voz, tá?
Mas obrigada por nunca ter se irritado por ninguém responder.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Enquanto eu respirar,

vou fugir
e cantar
no caminho.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Decerto.

Um tropeço não acaba com sua jornada. Seu olhar ainda está fixo no objetivo, lá longe, no horizonte. O caminho foi regado a muita água. Primeiro, porque choveu bastante. E por mais que as tormentas soubessem alegrar, segundo porque anda chorando. Pelo menos não terá de procurar um oásis, porque desde o começo a estrada não era deserto. E agora virou mar. De pingos e lágrimas, continua caminhando. E parece que tudo vai dar certo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Obrigada, e não vou esquecer você.

Eu conhecia um menino que dizia querer ter asas.
Não para voar, não, caro e enganado leitor, não.
Ele queria ter asas para proteger.
A si mesmo, ele falava segurando minha mão.

E toda vez que lembro dele,
acontece assim, não consigo evitar;
Penso mesmo
é que ele nunca pareceu precisar.

E aí lembro d'uma vez
que ele contou, encarando meu olhar
"Você é eu, e eu sou você;
não é bonito, esse jeito de querer?"

Esse jeito de querer
(de) me proteger.